Entretenimento e dispersão [Eymard Vasconcelos]




Entretenimento e dispersão.

A fidelidade, a longo prazo, aos nossos propósitos mais importantes pode ser cansativa. Surgem oposições inesperadas, derrotas imprevistas, ausência de resultados onde estávamos tão confiantes. Lideranças, que antes nos inspiravam, se afastam ou se descaminham. Tempos de deserto.

Nesses períodos, o estar focado no que é fundamental fica ameaçado. E vamos sendo tomados por desânimo e preguiça Perdemos a esperança de que a fidelidade ao caminho, que estamos seguindo, possa produzir plenitude e transformar realmente nosso entorno. Ficamos impacientes. A vida parece estar sem graça.

Começamos a ficar incomodados e dispersos. Sentimos mal. A aflição na alma cria fome de consolos imediatos. Passamos a precisar de nos entreter continuamente com o que rapidamente nos estimula, alegra, excita ou distrai. Ficamos acordados até tarde da noite, devorando entretenimento. E, naturalmente, alimentamos nossas crianças com uma dieta de distração animada, disponível em vários dispositivos eletrônicos.
O único problema é que esse tipo de consolo é ilusão. A ilusão nos afasta ainda mais dos alicerces do nosso sentido de vida e do nosso eixo.  Dispersa. Aos poucos, tira a vitalidade da inquietude que anima nossa busca.
Como a cultura nos oferece hoje tantas distrações charmosas e bem elaboradas! Envolver-nos com elas, além de ser agradável e distrair, nos deixa prontos para participar e sermos valorizados nas conversas da maioria dos grupos sociais próximos. A cultura do consumismo valoriza quem consome. Não apenas bem materiais, mas principalmente bens culturais. Esse acolhimento e essa valorização social vai nos satisfazendo momentaneamente e nos distraindo dos compromissos maiores e de longo prazo.
E começamos a tornar coisas tolas como absolutas. Falsos deuses. Ser celebridade. Admirado. Acesso continuo aos bens, conhecimentos e prazeres da moda. Culto de deuses que que vai trazendo ansiedade, individualismo e solidão, mesmo estando rodeados de muitos contatos. E nos afastando do amor.
A meditação disciplinada e frequente é um antídoto contra a dispersão. No recolhimento, entramos em contato com o que realmente somos, queremos e propomos. Ampliamos nossas raízes naquilo que nos é essencial. Discernimos os passos necessários para o desdobramento atual de nossos propósitos mais caros. E passamos até a poder passear, com alegria, por entretimentos, sem dispersão.

Texto elaborado por Eymard a partir de reflexão de Laurence Freeman, da Comunidade Mundial de Meditação Cristã (fonte: http://www.wccm.org.br/ ), com a finalidade de torná-la mais adequada à sua própria jornada de aprendizagem.


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