O que é Rua Balsa das 10?

Julio A. Wong Un /// Maio de 2013

O projeto Rua Balsa das 10 nasce de um desejo de recuperar caminhos que estão sendo abafados: a simplicidade, a distância dos poderes, o uso renovado das palavras, a negação de clichés e de usos genéricos de conceitos, o reconhecimento que as artes são infinitas e todas tem um lugar cultural no espaço-tempo...

Ainda, parte da afirmação firme que: nem todos os caminhos passam pelos partidos, pelas eleições, pela promoção de duvidosos líderes ou figuras "populares", pela simplificação forçada ou a adaptação do universal ao particular....

Aliás, parte-se do particular de cada um. Do sentir, olhar, tocar, percorrer mundos, cheirar peles, fotografar folhas e paisagens, encantar-se com sentidos simples (os 9 que se diz temos) e experiências singelas e sem publicidade: andar pelo parque

puxar conversa com artistas de rua e artesãos
passar os dedos pelos tecidos de um patchwork
saborear o café gigante e as broas de milho
atravesar o mundo pelas estradas
sentindo o amor recostado no ombro
ou o fim das complicações
em um simples
recordar
respeitar o sorriso diferente, a hora em que a estrela possa sua luz
no rosto encantado

simples
rua balsa das dez é um afago aos jovens estudantes
aos velhos poetas
aos médicos amorosos e heróicos que tem aos montes e sem aparecer nos jornais
aos
profissionais
que a cada vez que tocam com a palavra ou com o gesto
descrevem
dentro de si e dos outros
aquela força original
que fez do mundo espaço de espanto, de maravilha
sem estardalhaço, sem gritaria, sem peroratas intermináveis,
sem milhões gastos em caravanas ou projetos de pantalha

rua balsa das 10
é a balsa que é caminho passo lento, andar vagaroso, luz de som dos beatles
no extremo Sul do planeta
porque depois
acaba o mundo que é plano
e é preciso reinventa-lo

Rua balsa das 10 congrega diversas missangas com o fio da poesia
A poesia rota
Que é expulsa do mega empreendimentos
Da novela das 8
Das troupes S.A.
Dos respiradores crônicos
Dos coloridos que escondem todo o lixo por baixo da asa.

Lá, a poesia - ela própria sem direções claras, como deve ser -
Se aninha em forma de tartaruga tricotada
Em forma de xícara relembrando um encontro
Se perde
no Caminho assim dito azul ou verde
Da Balsa das 10 horas
Do trote contra o vento do Luan
Aquele que nasceu em presépio
Aquele que veio salvar somente o verbo "devagar"

Fica-mos assim com o olhar dos meninos e das meninas do Rio Grande
Pedindo em preze distraída
Que esse olhar se aprofunde e que
Daqui a milênios ele perdure
Para amantes futuros
Que hoje já estão entre nós.

Por isso - e por tudo o que ando aprendendo no último ano -
Deixo meu testemunho fugidio
E meu amor perdurável
No terceiro assento da esquerda, perto da Laguna dos Patos,
Da Balsa das 10.


Julio A. Wong Un /// Maio de 2013


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